Histórias do coração
"ÁTILA  cara-de-mau"

Quando esse mestiço de rottweiller chegou ao A.P. ficamos impressionados com o enorme ferimento em seu pescoço originado pela guerra que travou contra a corrente que o prendia ao cativeiro. Foram vários dias sem comida nem água, após a mudança de seu dono que o abandonou à própria sorte ( ou à falta dela ?).

Ele realmente tinha “cara-de-mau”, e parecia nunca “sorrir”, nem permitia a aproximação de humanos para a execução de curativos ou para um simples afago. Escolheu exercer no Abrigo a mesma função a que foi condicionado na antiga moradia: fiscalizar o portão, a entrada e a saída de pessoas e proteger seu território de qualquer invasor. E o fazia com muita eficiência.

Exercia sua autoridade sem questionamentos. Quem iria enfrentar aquela “cara-de mau” ?

Soubemos dar-lhe o tempo que necessitava para voltar a acreditar em humanos. Aos poucos já aceitava algum afago rápido e até já esboçava um leve balançar da cauda com a chegada das pessoas conhecidas.

Mas “sorrir” ele não conseguia mesmo. Sua “cara-de-mau” deve ter sido fruto de muita violência, maus tratos e nenhum carinho durante seu crescimento. Nunca perdemos a esperança de conseguir “adoçá-lo” e “quebrarmos o gelo” do seu coração sofrido.

Mas não tivemos tempo para saber se conseguiríamos, pois repentinamente o Átila  foi levado por algum mal súbito e fatal. Estamos sentindo muito mais a sua falta do que supúnhamos estar afeiçoados a ele. Esperamos que ele tenha percebido um pouco do amor que tentamos lhe transmitir e que, enxergue de onde estiver, a saudade e a doce lembrança que ele deixou dentro de nós.

Até um dia, meu valente Átila “ cara-de-mau”.


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